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Uma nova cadeia citrícola em formação PDF Imprimir E-mail
Escrito por Valdecir   
Qua, 01 de Setembro de 2010 10:17

Produção de laranja em Ribeirão Bonito, no centro do Estado de São Paulo: problemas com greening são comuns na região

O mercado internacional de suco de laranja mudou, e os reflexos de um longo período de demanda mais retraída impulsionam a cadeia produtiva de São Paulo, a mais importante do Brasil e do mundo, em uma direção diferente daquela que acentuou as divergências entre citricultores e indústrias nas últimas décadas. De um ano para cá os preços subiram graças a sérios problemas na oferta, mas o processo de ajuste a um cenário de consumo menor e mais exigente perdura.

Em meio às turbulências provocadas por disputas de preços da matéria-prima - amplificadas por investigações sobre um suposto cartel entre as principais empresas exportadoras da commodity - e estoques de suco em importantes consumidores como os Estados Unidos e a Europa nas alturas, a caixa de 40,8 quilos da laranja destinada às indústrias caiu a um de seus níveis mais baixos em meados do ano passado.

No mercado spot paulista, a caixa desceu para quase R$ 3, ante um custo de produção e transporte que, para grande parte dos citricultores, era superior a R$ 10. As indústrias resistiam em fechar contratos de um ou dois anos para receber a fruta, centenas de produtores deixaram a atividade e Citrosuco e Citrovita, segunda e terceira maiores companhias do segmento, iniciaram as conversações para unir operações, ganhar escala e superar a Cutrale na liderança das exportações mundiais de suco.

 

Hoje a caixa vale quase R$ 15 no mercado spot, conforme levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Cepea/Esalq), mas os problemas continuam. Até porque, em boa medida, é por causa desses problemas - sobretudo os fitossanitários, que elevam o custo de produção - que os preços subiram tanto.

Com geadas e a disseminação da doença conhecida como greening, a Flórida, Estado americano que reúne o segundo maior parque citrícola do planeta, acaba de colher, na safra 2009/10, 134 milhões de caixas de laranja, 25% menos que a média dos dez ciclos anteriores. O mesmo greening afeta a produção em São Paulo, maior produtor do mundo, que colhe uma safra (2010/11) de 185 milhões de caixas, 11% menor que em 2009/10 e bem abaixo das quase 350 milhões de meados desta década.

Há sinais de crescimento na próxima temporada nos dois polos, por causa do salto dos preços, mas a tendência de longo prazo é de estabilidade ou queda, segundo alguns especialistas. Para Maurício Mendes, presidente da consultoria AgraFNP e membro do Grupo de Consultores em Citrus (GConci), o mercado caminha, assim, para volumes mais magros o suficiente para garantir preços médios melhores e mais sustentados na exportação de suco e na produção da fruta.

Novas técnicas de plantio já são capazes de multiplicar a produtividade em áreas menores, o que facilita o controle de doenças e agiliza correções na oferta em casos de guinadas da demanda. É laranja da mão para boca. "O Brasil é mais eficiente que a Flórida em custo, e normalmente os ajustes tomam por base os mais competentes", diz Mendes. Com a oferta perseguindo a demanda mais de perto, é de se esperar, também, ciclos mais curtos de altas ou baixas de preços.

Na medida que expulsa os menos eficientes, quebras da produção de laranja em São Paulo e na Flórida, como as observadas em 2010/11, ajudam a acelerar esse redimensionamento da oferta. Mas, como o processo ainda não está maduro, também abrem espaço para disputas ferrenhas pela matéria-prima. Foi o que aconteceu no mercado paulista no primeiro semestre.

A corrida das indústrias antecipou a colheita e, segundo Margarete Boteon, do Cepea, colaborou inclusive para esvaziar a oferta disponível no spot, onde hoje há poucos negócios. A resistência das empresas em fechar contratos de um ou dois anos se dissipou e novos acordos de compra foram firmados, por valores estimados no mercado entre R$ 13 e R$ 16 por caixa. Parte dos contratos mais longos foram reajustados, mas produtores dizem que muitos ainda brigam por preço melhor.

Apesar dos aumentos, diz a especialista, tem gente ganhando e gente perdendo. "Tudo depende dos custos e da produtividade. Fatores como greening e irrigação interferem muito nesse cálculo". Mendes realça que por isso a localização do pomar é, hoje, muito mais importante do que há dez ou 15 anos. Em regiões tradicionais como Araraquara, no centro-norte paulista, o custo já subiu demais com os problemas fitossanitários. Em municípios mais ao sul como Itapetininga, o ganho pode ser maior. "De modo geral, o custo pode variar de R$ 8 a R$ 15 por caixa em São Paulo. Na Flórida é mais elevado, entre US$ 8 e US$ 9".

Nas contas da Associação Nacional dos Fabricantes de Sucos Cítricos (CitrusBR), criada em junho de 2009 por Cutrale, Citrosuco, Citrovita, Louis Dreyfus - as "4 Cs", levando-se em conta que a LD entrou no ramo com a compra da Coinbra -, muitos citricultores paulistas estão recebendo, hoje, quase 10% mais que seus colegas da Flórida, mesmo com o custo maior no Estado americano, o que sustenta a tese de que o polo paulista prevalecerá diante do aperto da demanda internacional.

Ainda que não seja possível avaliar com precisão quantos produtores de São Paulo estão recebendo mais pela fruta nesta safra e quanto de fato significa esse plus, o departamento de gestão estratégica do Ministério da Agricultura prevê que o Valor Bruto da Produção (VBP, da "porteira para dentro") da laranja atingirá R$ 6,3 bilhões em 2010. Apesar da queda da produção, é o mesmo patamar de 2009.

Nas exportações, afirma Christian Lohbauer, presidente da CitrusBR, a receita também começou a aumentar. Entre vendas de suco de laranja concentrado, não concentrado e para outros fins, foram 665,6 mil toneladas, ou US$ 875,5 milhões de janeiro a julho. Em volume, há uma queda de 6,6% em relação ao mesmo período de 2009, e em valor a retração é de 6,4%. Mas a tendência para a receita total de 2010 é superar a do ano passado, porque muitos contratos de exportação foram ajustados para cima no segundo semestre de 2009, quando as cotações começaram a subir forte com as geadas da Flórida.

Ontem, na bolsa de Nova York, os contratos futuros com vencimento em novembro (segunda posição de entrega) fecharam a US$ 1,3905 por libra-peso, queda de 10 pontos em relação à véspera. Mas, segundo o Valor Data, a segunda posição acumula alta de 43% em 12 meses. Já há, contudo, pressões baixistas à vista, advindas da expectativa de aumento da produção da Flórida em 2010/11. Analistas reforçam que o aumento não representa uma tendência e decorre da baixa base de comparação.

Além de ampliarem os investimentos em logística e em novas técnicas para elevar a produtividade e de unirem operações para ganhar escala - como Citrosuco e Citrovita - , as indústrias exportadoras já diversificam os negócios para outros sucos, seja apenas no transporte ou no comércio. Nessa segunda frente, também há transformações. Ainda que a disseminação de novas bebidas concorrentes tenha gerado uma queda de 17% do consumo global direto de suco de laranja de 2001 a 2009, há mais espaço para que o produto seja usado como ingrediente, ainda que em teores menores.

A gigante americana Coca-Cola, por exemplo, hoje concentra toda a sua compra global de sucos em uma trading com sede em Zurique (Suíça). Não por coincidência, o diretor-geral da trading é Ademerval Garcia, presidente da antiga Associação Brasileira dos Exportadores de Cítricos (Abecitrus), que foi desativada na virada de 2008 para 2009 e depois substituída pela CitrusBR.

Para o processo estrutural em curso de ajuste da oferta à demanda mais curta, dizem especialistas, é melhor que citricultores e indústrias consigam aparar arestas e se preparar para um mercado mais justo agora que os preços estão melhores. Também é preciso aproveitar a boa fase do mercado doméstico, hoje pouco explorado pelas indústrias e pelos produtores de laranja para mesa, para escoar uma parte da produção. Em um ambiente de preços em queda, mostra a história do segmento, as conversações sempre são mais difíceis.

 
Autor: Márcia Ribeiro/Folhapress
Crédito: Fonte: Valor Econômico
Última atualização em Qua, 01 de Setembro de 2010 10:21
 
Alta recorde da laranja não chega ao produtor PDF Imprimir E-mail
Escrito por Valdecir   
Qua, 07 de Julho de 2010 17:36
07/07/2010
Fonte: José Maria Tomazela - O Estado de S.Paulo

Preço quadruplicou no primeiro semestre, e contratos firmados com antecedência pagam menos ao citricultor

O preço da laranja quadruplicou no primeiro semestre deste ano, em comparação com o ano passado, mas a maioria dos produtores está recebendo preços mais baixos que os de mercado. Eles assinaram contratos com os fabricantes de suco num período em que a caixa de 40,8 quilos chegou a ser vendida por R$ 3,50. Agora, enfrentam dificuldades para renegociar o contrato num preço próximo do obtido pelos produtores sem contrato. Na última quinta-feira, no sudoeste paulista, alguns destes já conseguiam R$ 17 pela caixa.

Os citricultores reclamam de uma manobra feita pelas fábricas condicionando a revisão do contrato ao compromisso de venda da próxima safra pelo mesmo preço. "O produtor fica refém do contrato antigo e da empresa", afirma o citricultor Carlos Minatel, de Cordeirópolis. Para conseguir elevar o valor contratado de R$ 8 para R$ 10 ou R$ 12 a caixa, que ainda está bem abaixo do preço de mercado, ele se vê obrigado a fazer a venda antecipada da próxima safra pelo mesmo valor. "A indústria usa a força econômica que tem e o produtor fica sem condições de sair."

A escalada no valor da fruta deve-se ao frio intenso que atingiu os laranjais da Flórida. No Sudeste, o excesso de chuva também prejudicou a atual safra. O presidente da Associação Brasileira dos Citricultores (Associtrus), Flávio Viegas, concorda com Minatel. Além disso, para ele, as manobras para pagar menos pela laranja mostram que as indústrias não abandonaram práticas danosas ao equilíbrio da cadeia, que ele considera resultantes de um cartel. De acordo com Viegas, não é aceitável que, na mesma safra, a indústria pague R$ 17 pela caixa de laranja de um produtor e R$ 6 pela de outro.

Exportações. A laranja é o terceiro item na pauta de exportações paulistas e é responsável por 96% dos sucos vendidos pelo País. E é a segunda cultura mais importante do agronegócio do Estado, atrás apenas da cana-de-açúcar. Os laranjais de São Paulo dão conta de 80% da produção brasileira. Os bons preços da atual safra são um rápido refresco para um setor que vem encolhendo drasticamente. Nos últimos dez anos, o potencial produtivo dos pomares perdeu 241 milhões de caixas por fatores como doenças, especialmente o greening, preços baixos, queda no nível tecnológico e o suposto cartel. O endividamento do setor é estimado em R$ 1 bilhão.

Nesse período, segundo a Associtrus, 20 mil produtores deixaram a atividade. Carlos Minatel conta que ele e os irmãos tinham 240 mil laranjeiras há dez anos na região de Cordeirópolis. Há cinco, reduziram para 180 mil. Hoje, o pomar tem apenas 12 mil plantas. A área de cultivo no Estado perdeu 180 mil hectares, em parte tomada por canaviais. O ganho na produtividade e a migração da lavoura para o sudoeste, onde a incidência do greening é menor, compensaram parte dessa perda. Em dez anos, a produtividade dos pomares passou de 400 para até 700 caixas por hectare.

O dobro da média. A produção obtida nos laranjais da Fazenda São Paulo, na região de Itapeva, é o dobro da média das regiões tradicionais. De acordo com o administrador João Jacinto Dias, o custo também é menor. "Não precisamos pulverizar tanto como quem planta no norte do Estado." Os pomares são adensados e ainda não foram atingidos pelo greening, por isso têm uma população por hectare maior de plantas produtivas. A safra está no início e a expectativa é de uma grande produção. Ele conta que não teve dificuldade para acertar o preço da produção. "Vendi uma parte por R$ 15, mas vou pegar um preço ainda melhor no restante."

O presidente-executivo da Associação Nacional dos Exportadores de Sucos Cítricos (CitrusBR), Christian Lohbauer, disse que é normal as empresas quererem o cumprimento dos contratos firmados em anos anteriores. "Quando a caixa de laranja estava a R$ 3,50 e a fábrica cumpria o contrato pagando R$ 6, não havia reclamação." Ele considera um "excelente negócio" para o citricultor a proposta de receber mais do que o valor previsto em troca de contratar a próxima safra. "O mercado oscila muito e o risco maior é da empresa." Segundo ele, a alta no preço também se deve à disputa entre as indústrias para assegurar a compra da laranja, levando em conta um quadro de eventual falta da matéria-prima.
Última atualização em Qua, 07 de Julho de 2010 17:44
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Indústria(s) de suco de laranja tenta(m), novamente, encerrar investigação por suposta prática... PDF Imprimir E-mail
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Seg, 28 de Junho de 2010 09:25
 
22/06/2010
Apesar de constar como CONFIDENCIAL o nome dos requerentes do requerimento protocolado no CADE em 08 de junho p.p., e que recebeu o número 08700.002709/2010-44, direcionado ao Conselheiro Olavo Zago Chinaglia, é possível constatar tratar-se de proposta de TCC – Termo de Cessão de Conduta, pela qual objetiva(m) a(s) indústria(s)s processadora(s) de suco de laranja, mais uma vez, o encerramento do processo que investiga a formação de cartel no setor. Já no ano de 2006, as empresas de suco de laranja fizeram proposta de transação em troca de multa de cem milhões de reais, a qual foi rejeitada porque a Lei que regulamenta o CADE proibia que empresas investigadas por cartel fossem beneficiadas com TCC, instrumento que possibilita encerramento de investigações, conforme previa o parágrafo 5º do art. 53 da mencionada Lei. Agindo politicamente as indústrias, no entanto, conseguiram com que tal dispositivo fosse revogado, o que se deu através da medida provisória nº 344, proposta por emenda apresentada pelo Deputado do PT JILMAR TATTO, a qual tornou-se conhecida por “EMENDA DO SUCO”. Tal fato abriu as portas para a(s) indústria(s) formular(em) nova proposta como ocorrido agora. No entanto, nos termos do art. 45, e seu parágrafo 3º, da Portaria nº 456 do Ministério da Justiça, a transação somente tem cabimento quando as autoridades do CADE entenderem haver “CONVENIÊNCIA” e “OPORTUNIDADE” para a cessão das investigações e, ainda, obrigatoriamente mediante RECONHECIMENTO DE CULPA por parte da(s) proponente(s), vez que a investigação teve a participação de um leniente, que confessou a culpa por todas as condutas que estão sendo investigadas. A Associtrus aguarda que seja rejeitada qualquer proposta de acordo, já que entende necessário o aprofundamento das investigações para se identificar todo o modus operandi das indústrias e concluir pela existência ou não de concorrência no setor. “Ademais, seria um absurdo eventual concessão de TCC somente agora nesta fase do processo, ou seja, praticamente no momento final das investigações pela SDE. Desde a revogação do dispositivo que impedia as empresas de formularem proposta de acordo, somente agora, após a Justiça liberar o acesso à toda a documentação apreendida na OPERAÇÃO FANTA é que as empresas pretendem fazer acordo para impedir a possível condenação”, diz Flávio Viegas, Presidente da Associtrus que já solicitou audiência com o Ministro Relator do caso.
 
Agricultura depende de migrante rural PDF Imprimir E-mail
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Ter, 15 de Junho de 2010 10:34

 

Segundo produtores, não há mão de obra local suficiente; colheita de laranja paga em média R$ 800 por mês Governos de SP e MG prometem acabar com corte manual de cana até 2017; café emprega 800 mil migrantes.

Sem o migrante rural temporário não seria possível a colheita simultânea do café, da laranja e o corte da cana no centro-sul, dizem os produtores, porque não haveria oferta local suficiente.

A colheita do café começou em maio e, segundo estimativa do presidente do Conselho Nacional do Café, Gilson Ximenes, ocupará cerca de 800 mil trabalhadores oriundos de outros Estados. É, de longe, o setor que mais emprega mão de obra rural temporária.

Última atualização em Qui, 17 de Junho de 2010 14:27
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